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Se meu crime provém da natureza, quem de ser deixará réu, criminoso?
Pede ao Deus que, apesar das tuas dores, ainda persiste a castigar teu filho, que eu não morra a sofrer, como hoje vivo…
Serei tal qual pareço em mim? Serei Tal qual me julgo verdadeiramente?
Olhos que foram olhos, dois buracos Agora, fundos, no ondular da poeira…
Mas não servia ao pai, servia a ela, Que a ela só por prêmio pertendia.
Os dias na esperança de um só dia Passava, contentando-se com vê-la:
O poeta futuro já vive no meio de vós E não o pressentis.
Não se pode sonhar impunemente Um grande sonho pelo mundo afora, Porque o veneno humano não demora Em corrompê-lo na íntima semente…
Que amor é esse que a própria vida deu, Deixando Sua glória, vindo ao mundo pra morrer?
Sobre Chopin a noite abre o amplo manto constelado: um delírio de amor anda por tudo, insone, insano! Em cada nota solta há como um lânguido lamento.
Conheci mais tristeza que ventura E sempre andei errante e peregrino. Vivi sujeito ao doce desatino Que tanto engana mas tão pouco dura…
É um rebelde também, cérebro largo, Que odeia os reis e os padres excomunga.
Uns aos outros se impedem na saída e querem cometer e não se abalam, e vou para falar e fico mudo.