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Ó lustres de cristal, enganadoramente Ao mesmo tempo sois sonoros e calados.
O mundo é velha cena ensanguentada, Coberta de remendos, picaresca
Doce morena! Abençoado seja O doce aroma de teu leque amado
Seu mudo olhar no meu repousa, E eu sinto, sem no entanto compreendê-la, Que ela tenta dizer-me qualquer cousa…
E, árvore, acabará sem nunca dar um fruto; E, homem, há-de morrer como viveu: sozinho!
Só a dor enobrece e é grande e é pura. Aprende a amá-la que a amarás um dia. Então ela será tua alegria.
Quem do mundo a mortal loucura cura, A vontade de Deus sagrada agrada.
Por isso aqui minhalma te abençoa: Tu foste a voz compadecida e boa Que no meu desalento me susteve. Por isso eu te amo.
É a encarnação do mal. Pulsa-lhe o peito Ermo de amor, deserto de piedade…
Às vezes, a tremer na fraga faiscante, Passa uma folha verde, e sobre a veia ondeante Abandona-se toda, ansiosa pelo mar…
Mui grande é vosso amor e o meu delito; Porém pode ter fim todo o pecar, E não o vosso amor, que é infinito.
Como da copa verde uma folha caída Treme e deriva à flor do arroio fugidio, Deixa-te assim também derivar pela vida.