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Não te amo, não. E infame sou, porque te quero; e tanto Que de mim tenho espanto, De ti medo e terror…
Deus fez os nossos braços pra prender, E a boca fez-se sangue pra beijar!
Queria, se ser pudesse, o impossível; Queria poder mudar-me e estar quedo; Usar de liberdade e estar cativo; Queria que visto fosse e invisível;
É por ti que a virtude prevalece, E a flor do heroísmo medra e viça. Por ti, na arena trágica, as nações Buscam a liberdade, entre os clarões…
O excesso de gozo é dor. Dói-me alma, sim; e a tristeza Vaga, inerte e sem motivo, No coração me poisou.
Corações, almas que choram, Almas iguais à minha, almas que imploram Em vão remédio para tanta mágoa! Árvores! Não choreis!
Jura Amor que brandura de vontade Causa o primeiro efeito; o pensamento Endoudece, se cuida que é verdade.
Mas se paro um momento, se consigo fechar os olhos, sinto-os a meu lado de novo
Que eras tu meu ser, querida, Teus olhos a minha vida, Teu amor todo o meu bem… Ai! não mo disse ninguém.
Sonho… que eu e tu, dois pobrezinhos, Andamos de mãos dadas, nos caminhos Duma terra de rosas, num jadim, Num país de ilusão que nunca vi…
Porque, inda mais que se tema de mudanças, Menos se teme a dor quando se sente.
Certo, dista muitas e muitas léguas de caminho… Não importa. O que importa é ir em fora…