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Olhos ternos azuis, Ao ver-vos cheios d’água, Eu padeço também…
Bem triste e bem cruel decerto foi o ente Que este Saara atroz – sem aura, sem manhã, A Álgebra criou…
E era o sol que os longes deslumbrava Igual a tanto sol que me fugiu! Passei a vida a amar e a esquecer…
Cuidei de me salvar, mas foi em vão, Que contra o Céu não há defensa humana.
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume, O carrancudo, o rábido Ciúme!
Um grande recolhimento Preside neste momento Todas as forças do Mundo
Eu sei lá bem quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem… Sou um reflexo… Um canto de paisagem, ou apenas cenário!
Vereis, Senhora, então também mudado O pensamento e aspereza vossa, Quando não sirva já sua mudança. Suspirareis então pelo passado.
Levai-me este suspiro aos meus amores: Dizei-lhe que nasceu dos dissabores Que influi nos corações a formosura…
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços! E ele é, ó meu Amor, pelos espaços, Fumo leve que foge entre os meus dedos!…
Quantas vezes, de súbito, emudeces! Não sei que luz no teu olhar flutua; Sinto tremer-te a mão e empalideces…
Tenho tão presente A grande dor das cousas que passaram, Que as magoadas iras me ensinaram A não querer já nunca ser contente.