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Do mesmo modo que te abriste à alegria abre-te agora ao sofrimento que é fruto dela
Longos anos, presa à minha A tua mão, a vista deslumbrada Tive da luz que teu olhar continha.
Mas felizmente a vida nos conforta De esperança, uma dúbia claridade.
Nas entranhas dos penedos, Em vida morto, sepultado em vida, Me queixe copiosa e livremente; Que, pois a minha pena é sem medida
De quantas graças tinha, a Natureza Fez um belo e riquíssimo tesouro
Oh! não lhe fales, Não lhe sorrias
Podridão feita deusa de granito que surges dos mistérios do Infinito
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada! Pois dessa mão avaramente adunca Não haverão de arracar a luz sagrada!
Ter saudade é viver passadas vidas, Percorrendo paragens preferidas, Ouvindo vozes que se têm de cor.
Na confusão do mais horrendo dia, Painel da noite em tempestade brava, O fogo com o ar se embaraçava Da terra e água o ser se confundia.
Vestido de hidrogênio incandescente, Vaguei um século, improficuamente, Pelas monotonias siderais…
Choras, sem compreenderes que a saudade É um bem maior do que a felicidade