Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Ao clicar em "Aceito", entendemos que você concorda com isto.
Termos de Uso
Tendo à fronte impura O diadema imperial de Messalina, Vejo-te bela, estátua da loucura!
Que me importa este quarto, em que desperto como se despertasse em quarto alheio? Eu olho é o céu!
A noite abria a frescura Dos campos todos molhados, – Sozinha, com o seu perfume!
Cada palavra tinha o seu sentido… Como as entenderia – eu, tão pobre de espírito?
Essa tristeza que um sorriso de amor nem mesmo aclara, Parece vir de alguma fonte amara ou de um rio de dor…
Descalça vai para a fonte Leonor pela verdura; Vai fermosa, e não segura.
A lua multiplicou-se em todos os poços e poças. Tudo está sob a encantação lunar… E que importa?
Uma luz qualquer, durante o dia, Que, às vezes, fica, por descuido, acesa, Causa-nos mal-estar…
Trago-te palavras, apenas… e que estão escritas do lado de fora do papel…
O que há sob essa máscara é um pranto seco, pranto final, sem lágrimas, calado, sem esponja de fel e último brado.
Há mais do inferno ali do que do paraíso… O amor é tão-somente um pretexto de riso Para esse coração flutuante e singular.
O pontinho escuro anima-se; e, ágil, breve, Salta aqui, salta ali e vem pousar em mim. Sinto-o no corpo: o inseto, a mais e mais se atreve.