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As cousas todas são prodígios de impureza e imperfeição!
Felicidade, custas a vir, E, quando vens, não te demoras…
Maria, há no seu gesto airoso e nobre, Nos olhos meigos e no andar tão brando, Um não sei quê suave…
Triste é os tempos vividos, venturosos, Comparar às agruras do presente; Que mágoas só as tem quem teve gozos.
Ah, sempre que se sonha alguma coisa tem-se a idade do tempo em que a sonhamos
E a obra, por fim, resplandece acabada: “Mundo, que as minhas mãos arrancaram do nada! Filha do meu trabalho!”
“Meu Deus, mas isto é um sonho!” Sonhos nossos? Não tanto…
Pela primeira vez a víscera do herói, Que a imensa ave do céu perpetuamente rói, Deixou de renascer.
Eu levarei comigo as madrugadas, Pôr-de-sóis, algum luar, asas em bando, Mais o rir das primeiras namoradas…
O amor é vida e leva à sepultura; É luz e faz viver em noite escura; Apesar de cego o amor, vê o invisível.
Penso às vezes o quanto essas meninas No seu desejo triste hão de sofrer
Não posso ver a palavra andarilho que eu não tenha vontade de dormir debaixo de uma árvore.